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AQUAMAN | Análise Do Filme Com SPOILER!

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Em uma das cabines de imprensa mais lotadas deste ano de 2018, tive a oportunidade de presenciar o renascimento da DC no cinema.

BUMBLEBEE | Vale Ou Não A Pena Assistir?

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Através da direção de Trevis Knight e com o roteiro de Christina Hodson, o universo cinematográfico de Transformers ganha uma nova chance, apostando em seu personagem mais carismático: Bumblebee.

BOHEMIAN RHAPSODY | Blu-Ray Trará Apresentação Completa Do Live Aid

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Se você assim como eu achou que uma das melhores coisas de 'Bohemian Rhapsody' fio a apresentação do show Live Aid...

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BATMAN E SUPERMAN | Rumor indica que Cavill e Affleck renovaram para mais quatro produções

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Finalmente um rumor positivo sobre o DCU. Segundo o jornalista Louis Centeno, Henry Cavil e Ben Affleck renovaram com a Warner para mais quatro produções da DC nos cinemas.

Segundo ele, fontes internas disseram que Cavill deve aparecer em SHAZAM! e em um filme solo da Supergirl, além de outro dois filmes, sendo um deles um solo intitulado como 'The Superman'.



Já Ben Affleck estará em The Batman como a versão atual do Morcego, enquanto um outro ator mais jovem fará sua versão em Flashback, apresentando uma história pós-origem.



Vale ressaltar que em outubro ded2018, Affleck participou de uma reujire com a Warner, e saiusde lá com alguns papepa nas mãos, e em seguida retomou os treinos. Saiba mais.

Um outro boato, ainda mais ousado, indica que o tão desejado 'Justice League: Snyder cut' pode estar saindo em breve.



Louis Centeno é conhecido por estar por dentro de informações internas dos estúdios de Hollywood, e até agora não deu uma bola fora.

Por enquanto essas informações ainda são rumores. Espero que essas informações se confirmem, e que após o sucesso de Aquaman, a história mude para a DC nos cinemas. 

Finalmente um rumor positivo sobre o DCU. Segundo o jornalista Louis Centeno, Henry Cavil e Ben Affleck renovaram com a Warner para mais quatro produções da DC nos cinemas.

Segundo ele, fontes internas disseram que Cavill deve aparecer em SHAZAM! e em um filme solo da Supergirl, além de outro dois filmes, sendo um deles um solo intitulado como 'The Superman'.



Já Ben Affleck estará em The Batman como a versão atual do Morcego, enquanto um outro ator mais jovem fará sua versão em Flashback, apresentando uma história pós-origem.



Vale ressaltar que em outubro ded2018, Affleck participou de uma reujire com a Warner, e saiusde lá com alguns papepa nas mãos, e em seguida retomou os treinos. Saiba mais.

Um outro boato, ainda mais ousado, indica que o tão desejado 'Justice League: Snyder cut' pode estar saindo em breve.



Louis Centeno é conhecido por estar por dentro de informações internas dos estúdios de Hollywood, e até agora não deu uma bola fora.

Por enquanto essas informações ainda são rumores. Espero que essas informações se confirmem, e que após o sucesso de Aquaman, a história mude para a DC nos cinemas. 

OSCAR 2019 | Pantera Negra surpreende com 7 indicações, incluindo Melhor Filme!

OSCAR 2019 | Pantera Negra surpreende com 7 indicações, incluindo Melhor Filme!


Finalmente saiu a tão esperada lista de indicados ao Oscar 2019. Dentre os indicados, temos pela primeira vez um filme de heróis disputando como melhor filme, com Pantera Negra que está indicado a outras 6 premiações.  A premiação acontecerá dia  A premiação acontece dia 24 de fevereiro. Confira a lista de indicados:

  1. Melhor Filme
Pantera Negra
Infiltrado na Klan
Bohemian Rhapsody
A Favorita
Green Book: O Guia
Roma
Nasce Uma Estrela
Vice

  1. Melhor Atriz
Yalitza Aparicio (Roma)
Glenn Close (A Esposa)
Olivia Colman (A Favorita)
Lady Gaga (Nasce Uma Estrela)
Melissa McCarthy (Poderia Me Perdoar?)

  1. Melhor Ator
Christian Bale (Vice)
Bradley Cooper (Nasce Uma Estrela)
Willem Dafoe (No Portal da Eternidade)
Rami Malek (Bohemian Rhapsody)
Viggo Mortensen (Green Book: O Guia)

  1. Melhor Atriz Coadjuvante
Amy Adams (Vice)
Marina De Tavira (Roma)
Regina King (Se a Rua Beale Falasse)
Emma Stone (A Favorita)
Rachel Weisz (A Favorita)

  1. Melhor Ator Coadjuvante
Mahershala Ali (Green Book: O Guia)
Adam Driver (Infiltrado na Klan)
Sam Elliott (Nasce uma Estrela)
Richard E. Grant (Poderia Me Perdoar?)
Sam Rockwell (Vice)

  1. Melhor Direção
Spike Lee (Infiltrado na Klan)
Pawel Pawlikowski (Guerra Fria)
Yorgos Lanthimos (A Favorita)
Alfonso Cuarón (Roma)
Adam McKay (Vice)

  1. Melhor Roteiro Original
A Favorita
No Coração das Trevas
Green Book: O Guia
Roma
Vice

  1. Melhor Roteiro Adaptado
The Ballad of Buster Scruggs
Infiltrado na Klan
Poderia Me Perdoar?
Se a Rua Beale Falasse
Nasce Uma Estrela

  1. Melhor Figurino
A Balada de Buster Scruggs
Pantera Negra
A Favorita
O Retorno de Mary Poppins
Duas Rainhas

  1. Melhor Cabelo
Border
Duas Rainhas
Vice

  1. Melhor Direção de Arte/Design de Produção
Pantera Negra
A Favorita
O Primeiro Homem
O Retorno de Mary Poppins
Roma

  1. Melhor Trilha Sonora
Pantera Negra
Infiltrado na Klan
Se a Rua Beale Falasse
Ilha dos Cachorros
O Retorno de Mary Poppins

  1. Melhor Canção Original
All the Stars – Pantera Negra
I’ll Fight – RBG
The Place Where Lost Things Go – O Retorno de Mary Poppins
Shallow – Nasce uma Estrala
When A Cowboy Trades His Spurs For Wings – A Balada de Buster Scruggs

  1. Melhor Fotografia
Guerra Fria
A Favorita
Nunca Deixe de Lembrar
Roma
Nasce Uma Estrela

  1. Melhor Edição
Infiltrado na Klan
Bohemian Rhapsody
A Favorita
Green Book: O Guia
Vice

  1. Melhor Edição de Som
Pantera Negra
Bohemian Rhapsody
O Primeiro Homem
Um Lugar Silencioso
Roma

  1. Melhor Mixagem de Som
Pantera Negra
Bohemian Rhapsody
O Primeiro Homem
Roma
Nasce Uma Estrela

  1. Melhores Efeitos Visuais
Avengers: Infinity War
Christopher Robin
O Primeiro Homem
Jogador Número 1
Solo: Uma História Star Wars

  1. Melhor Documentário
Free Solo
Hale County This Morning, This Evening
Minding the Gap
Of Fathers and Sons
RBG

  1. Melhor Animação
Os Incríveis 2
Ilha de Cachorros
Mirai
Wifi Ralph
Homem-Aranha no Aranhaverso

  1. Melhor Filme Estrangeiro
Capernaum
Cold War
Never Look Away
Roma
Shoplifters

  1. Melhor Curta Metragem – Animação
Animal Behavior
Bao
Late Afternoon
One Small Step
Weekends

  1. Melhor Curta Metragem – Documentário
Black Sheep
End Game
Lifeboat
A Night at the Garden
Period. End of Sentence.

  1. Melhor Curta Metragem – Live-Action
Detainment
Fauve
Marguerite
Mother
Skin


Finalmente saiu a tão esperada lista de indicados ao Oscar 2019. Dentre os indicados, temos pela primeira vez um filme de heróis disputando como melhor filme, com Pantera Negra que está indicado a outras 6 premiações.  A premiação acontecerá dia  A premiação acontece dia 24 de fevereiro. Confira a lista de indicados:

  1. Melhor Filme
Pantera Negra
Infiltrado na Klan
Bohemian Rhapsody
A Favorita
Green Book: O Guia
Roma
Nasce Uma Estrela
Vice

  1. Melhor Atriz
Yalitza Aparicio (Roma)
Glenn Close (A Esposa)
Olivia Colman (A Favorita)
Lady Gaga (Nasce Uma Estrela)
Melissa McCarthy (Poderia Me Perdoar?)

  1. Melhor Ator
Christian Bale (Vice)
Bradley Cooper (Nasce Uma Estrela)
Willem Dafoe (No Portal da Eternidade)
Rami Malek (Bohemian Rhapsody)
Viggo Mortensen (Green Book: O Guia)

  1. Melhor Atriz Coadjuvante
Amy Adams (Vice)
Marina De Tavira (Roma)
Regina King (Se a Rua Beale Falasse)
Emma Stone (A Favorita)
Rachel Weisz (A Favorita)

  1. Melhor Ator Coadjuvante
Mahershala Ali (Green Book: O Guia)
Adam Driver (Infiltrado na Klan)
Sam Elliott (Nasce uma Estrela)
Richard E. Grant (Poderia Me Perdoar?)
Sam Rockwell (Vice)

  1. Melhor Direção
Spike Lee (Infiltrado na Klan)
Pawel Pawlikowski (Guerra Fria)
Yorgos Lanthimos (A Favorita)
Alfonso Cuarón (Roma)
Adam McKay (Vice)

  1. Melhor Roteiro Original
A Favorita
No Coração das Trevas
Green Book: O Guia
Roma
Vice

  1. Melhor Roteiro Adaptado
The Ballad of Buster Scruggs
Infiltrado na Klan
Poderia Me Perdoar?
Se a Rua Beale Falasse
Nasce Uma Estrela

  1. Melhor Figurino
A Balada de Buster Scruggs
Pantera Negra
A Favorita
O Retorno de Mary Poppins
Duas Rainhas

  1. Melhor Cabelo
Border
Duas Rainhas
Vice

  1. Melhor Direção de Arte/Design de Produção
Pantera Negra
A Favorita
O Primeiro Homem
O Retorno de Mary Poppins
Roma

  1. Melhor Trilha Sonora
Pantera Negra
Infiltrado na Klan
Se a Rua Beale Falasse
Ilha dos Cachorros
O Retorno de Mary Poppins

  1. Melhor Canção Original
All the Stars – Pantera Negra
I’ll Fight – RBG
The Place Where Lost Things Go – O Retorno de Mary Poppins
Shallow – Nasce uma Estrala
When A Cowboy Trades His Spurs For Wings – A Balada de Buster Scruggs

  1. Melhor Fotografia
Guerra Fria
A Favorita
Nunca Deixe de Lembrar
Roma
Nasce Uma Estrela

  1. Melhor Edição
Infiltrado na Klan
Bohemian Rhapsody
A Favorita
Green Book: O Guia
Vice

  1. Melhor Edição de Som
Pantera Negra
Bohemian Rhapsody
O Primeiro Homem
Um Lugar Silencioso
Roma

  1. Melhor Mixagem de Som
Pantera Negra
Bohemian Rhapsody
O Primeiro Homem
Roma
Nasce Uma Estrela

  1. Melhores Efeitos Visuais
Avengers: Infinity War
Christopher Robin
O Primeiro Homem
Jogador Número 1
Solo: Uma História Star Wars

  1. Melhor Documentário
Free Solo
Hale County This Morning, This Evening
Minding the Gap
Of Fathers and Sons
RBG

  1. Melhor Animação
Os Incríveis 2
Ilha de Cachorros
Mirai
Wifi Ralph
Homem-Aranha no Aranhaverso

  1. Melhor Filme Estrangeiro
Capernaum
Cold War
Never Look Away
Roma
Shoplifters

  1. Melhor Curta Metragem – Animação
Animal Behavior
Bao
Late Afternoon
One Small Step
Weekends

  1. Melhor Curta Metragem – Documentário
Black Sheep
End Game
Lifeboat
A Night at the Garden
Period. End of Sentence.

  1. Melhor Curta Metragem – Live-Action
Detainment
Fauve
Marguerite
Mother
Skin

Como Treinar o Seu Dragão 3: O Mundo Oculto | O que dizer do último filme da franquia?

Como Treinar o Seu Dragão 3: O Mundo Oculto | O que dizer do último filme da franquia?


O terceiro e último filme da franquia inspirada na obra de Cressida Crowel, How To Train Your Dragon, mais uma vez tem direção e roteiro de Dean Deblois, que comandou os dois anteriores e também a série Dragons: Race to the Edge, que traz outras aventuras do universo de Crowel. Nesta nova trama, todo o encanto trazido dos livros para o primeiro filme (2010) permanece intacto e ainda mais cativante. A aposta de Deblois não é apenas inovação nem extravagância de efeitos visuais e sonoros, o que costuma aparecer como ponto forte de muitas animações e em alguns casos acaba se sobrepondo ao conteúdo em si. – Se acalme! Não queremos dizer com isso que Como Treinar o Seu Dragão 3: O Mundo Oculto seja inferior em qualidade nesse aspecto. Muito pelo contrário, continua sendo uma das melhores criações da Dream Works. Mas se Dean Deblois aprendeu lições inestimáveis com Crowel, uma delas talvez seja: o que acontece é tão importante quanto como acontece.

E o produtor Brad Lewis (Ratatouille, 2007) entende muito bem dessa relação, pois seu trabalho em animações como Ratatouille, de 2007 e Cegonhas: A História que Não Contaram, de 2016, são outros exemplos incrivelmente bem construídos nesse aspecto. Mas um dos pontos mais fortes da produção de Como Treinar o Seu Dragão 3 está onde os olhos não podem ver: a trilha sonora. Enquanto a maioria dos fãs se apaixona pela participação especial de Ed Sheeran com a canção “Castle On The Hill”, que também é incrível, meus ouvidos atentos de músico me direcionam para um verdadeiro tesouro no filme: a trilha impecável de John Powell, o gênio por trás de Kung Fu Panda, Happy Feet, Bolt e Rio. Neste último filme, Powell mantém seu estilo nascido de inspirações nas mais diversas culturas ocidentais e orientais, e aposta, para a batalha principal, em uma orquestra sinfônica com um grandioso coral com estética da música modal profana que nos insere na cena como se estivéssemos vivendo cada emoção ao lado dos heróis.

Soluço (Jay Baruchel) e Banguela encaram dois novos desafios: um que envolve a ganância humana, trazido por Grimmel (F. Murray Abraham), lendário caçador de dragões cujo objetivo principal de sua vida é eliminar todos os fúrias da noite, raça de nosso herói Banguela, e se une a outros lordes vikings que criam e contrabandeiam dragões para suas guerras; e outro trazido por Fúria da Luz e Astrid (America Ferrera), pares românticos dos protagonistas, que apresentam o amor e seus dilemas aos dois que, até então, desconheciam. Ora, amor e guerra, mesmo em planos diferentes, estão sempre filosoficamente tão próximos que, por vezes, estratégias e prazeres de um se aplicam ao outro. E quando se misturam, duras escolhas precisam ser tomadas.

A nova ameaça obriga Soluço, rei de Berk, a buscar um novo abrigo para seu povo e os dragões onde ninguém os encontre e possam viver todos em paz. Mas será que esse lugar existe? Será há  mesmo um novo lar? E como fazer isso? No primeiro filme, o grande desafio de Soluço era mostrar ao mundo que os dragões eram criaturas adoráveis e não malignas, como se fazia pensar por sua aparência grotesca e poder de destruição que deram origem às grandes lendas vikings. O segundo trouxe uma grande amostra do poder da amizade e da confiança entre os homens e os lagartões, quando juntos conseguem deter perigos até então adormecidos, que ameaçavam a existência de ambas as criaturas. Neste terceiro, que encerra o ciclo, os criadores trazem uma lição um tanto contraditória às anteriores: o mundo ainda não está preparado para conviver em harmonia.

Esta nova crítica é dolorosa, visto que o que mais se prezou ao longo da obra foi a construção de uma sociedade constituída de dragões e humanos. Porém, esse ponto de vista é aceitável, pois não é colocado de qualquer maneira. Em harmonia musical ocidental, a construção dos discursos se dá por meio de repousos, afastamentos, tensões e resoluções que se apresentam em forma de consonâncias e dissonâncias. Essa estrutura está presente, na verdade, de outras maneiras em todas as artes, e é inspirada nos acontecimentos da vida em sociedade, nas relações entre as pessoas e as coisas.

Em literatura e cinema não poderia ser diferente, e o fio condutor de toda a trama de Crowel, com seus altos e baixos dessa relação inusitada entre espécies diferentes, nos leva muito bem a este fechamento, porque toda a franquia de Como Treinar o Seu Dragão traz um belo arranjo de enredo, roteiro, som e imagem que explora com inteligência a apresentação das personagens e as inconstâncias da paz e da guerra no mundo viking, trazendo críticas e reflexões que abrangem questões relacionadas a preconceito, gênero, visões de mundo, política e até religião, quando a crença nórdica numa terra plana que se quebra ao encontrarem a misteriosa queda d’água que marcaria os limites da terra, e na verdade é uma gigantesca cratera no meio do oceano. Inocente no olhar raso e sábio no mergulho profundo, o terceiro filme deixa para os fãs orgulho, inspiração e saudade. Histórias de dias nefastos e promessas de dias melhores foram os condutores até agora. E apesar de uma divisão indesejável, a esperança, na humanidade e nos dragões, é a chave que fecha os portões da trilogia. Assim, o último filme, épico, encerra a franquia como o que a começou: encantador.


  1. TRAILER



  1. INFORMAÇÕES
Título original: How To Train Your Dragon: The Hidden World
Data de lançamento: 17 de janeiro de 2019 (1h 34min)
Direção: Dean DeBlois
Elenco: Jay Baruchel, America Ferrera, F. Murray Abraham
Gêneros: Animação, Família, Aventura
Nacionalidade: EUA
Distribuidor: UNIVERSAL PICTURES
Ano de produção: 2019

O terceiro e último filme da franquia inspirada na obra de Cressida Crowel, How To Train Your Dragon, mais uma vez tem direção e roteiro de Dean Deblois, que comandou os dois anteriores e também a série Dragons: Race to the Edge, que traz outras aventuras do universo de Crowel. Nesta nova trama, todo o encanto trazido dos livros para o primeiro filme (2010) permanece intacto e ainda mais cativante. A aposta de Deblois não é apenas inovação nem extravagância de efeitos visuais e sonoros, o que costuma aparecer como ponto forte de muitas animações e em alguns casos acaba se sobrepondo ao conteúdo em si. – Se acalme! Não queremos dizer com isso que Como Treinar o Seu Dragão 3: O Mundo Oculto seja inferior em qualidade nesse aspecto. Muito pelo contrário, continua sendo uma das melhores criações da Dream Works. Mas se Dean Deblois aprendeu lições inestimáveis com Crowel, uma delas talvez seja: o que acontece é tão importante quanto como acontece.

E o produtor Brad Lewis (Ratatouille, 2007) entende muito bem dessa relação, pois seu trabalho em animações como Ratatouille, de 2007 e Cegonhas: A História que Não Contaram, de 2016, são outros exemplos incrivelmente bem construídos nesse aspecto. Mas um dos pontos mais fortes da produção de Como Treinar o Seu Dragão 3 está onde os olhos não podem ver: a trilha sonora. Enquanto a maioria dos fãs se apaixona pela participação especial de Ed Sheeran com a canção “Castle On The Hill”, que também é incrível, meus ouvidos atentos de músico me direcionam para um verdadeiro tesouro no filme: a trilha impecável de John Powell, o gênio por trás de Kung Fu Panda, Happy Feet, Bolt e Rio. Neste último filme, Powell mantém seu estilo nascido de inspirações nas mais diversas culturas ocidentais e orientais, e aposta, para a batalha principal, em uma orquestra sinfônica com um grandioso coral com estética da música modal profana que nos insere na cena como se estivéssemos vivendo cada emoção ao lado dos heróis.

Soluço (Jay Baruchel) e Banguela encaram dois novos desafios: um que envolve a ganância humana, trazido por Grimmel (F. Murray Abraham), lendário caçador de dragões cujo objetivo principal de sua vida é eliminar todos os fúrias da noite, raça de nosso herói Banguela, e se une a outros lordes vikings que criam e contrabandeiam dragões para suas guerras; e outro trazido por Fúria da Luz e Astrid (America Ferrera), pares românticos dos protagonistas, que apresentam o amor e seus dilemas aos dois que, até então, desconheciam. Ora, amor e guerra, mesmo em planos diferentes, estão sempre filosoficamente tão próximos que, por vezes, estratégias e prazeres de um se aplicam ao outro. E quando se misturam, duras escolhas precisam ser tomadas.

A nova ameaça obriga Soluço, rei de Berk, a buscar um novo abrigo para seu povo e os dragões onde ninguém os encontre e possam viver todos em paz. Mas será que esse lugar existe? Será há  mesmo um novo lar? E como fazer isso? No primeiro filme, o grande desafio de Soluço era mostrar ao mundo que os dragões eram criaturas adoráveis e não malignas, como se fazia pensar por sua aparência grotesca e poder de destruição que deram origem às grandes lendas vikings. O segundo trouxe uma grande amostra do poder da amizade e da confiança entre os homens e os lagartões, quando juntos conseguem deter perigos até então adormecidos, que ameaçavam a existência de ambas as criaturas. Neste terceiro, que encerra o ciclo, os criadores trazem uma lição um tanto contraditória às anteriores: o mundo ainda não está preparado para conviver em harmonia.

Esta nova crítica é dolorosa, visto que o que mais se prezou ao longo da obra foi a construção de uma sociedade constituída de dragões e humanos. Porém, esse ponto de vista é aceitável, pois não é colocado de qualquer maneira. Em harmonia musical ocidental, a construção dos discursos se dá por meio de repousos, afastamentos, tensões e resoluções que se apresentam em forma de consonâncias e dissonâncias. Essa estrutura está presente, na verdade, de outras maneiras em todas as artes, e é inspirada nos acontecimentos da vida em sociedade, nas relações entre as pessoas e as coisas.

Em literatura e cinema não poderia ser diferente, e o fio condutor de toda a trama de Crowel, com seus altos e baixos dessa relação inusitada entre espécies diferentes, nos leva muito bem a este fechamento, porque toda a franquia de Como Treinar o Seu Dragão traz um belo arranjo de enredo, roteiro, som e imagem que explora com inteligência a apresentação das personagens e as inconstâncias da paz e da guerra no mundo viking, trazendo críticas e reflexões que abrangem questões relacionadas a preconceito, gênero, visões de mundo, política e até religião, quando a crença nórdica numa terra plana que se quebra ao encontrarem a misteriosa queda d’água que marcaria os limites da terra, e na verdade é uma gigantesca cratera no meio do oceano. Inocente no olhar raso e sábio no mergulho profundo, o terceiro filme deixa para os fãs orgulho, inspiração e saudade. Histórias de dias nefastos e promessas de dias melhores foram os condutores até agora. E apesar de uma divisão indesejável, a esperança, na humanidade e nos dragões, é a chave que fecha os portões da trilogia. Assim, o último filme, épico, encerra a franquia como o que a começou: encantador.


  1. TRAILER



  1. INFORMAÇÕES
Título original: How To Train Your Dragon: The Hidden World
Data de lançamento: 17 de janeiro de 2019 (1h 34min)
Direção: Dean DeBlois
Elenco: Jay Baruchel, America Ferrera, F. Murray Abraham
Gêneros: Animação, Família, Aventura
Nacionalidade: EUA
Distribuidor: UNIVERSAL PICTURES
Ano de produção: 2019

MÁQUINAS MORTAIS | Vale a pena assistir? Resenha com Spoilers!

MÁQUINAS MORTAIS | Vale a pena assistir? Resenha com Spoilers!



Contexto
A trama de Máquinas Mortais se passa em um futuro distante, aproximadamente no ano 3118,  em um ambiente de hostilidade constante que lembra muito cenários pós-apocalípticos como o da franquia Mad Max – exceto que ainda resta nas pessoas um senso de “civilização” consideravelmente maior, se é que podemos dizer assim –. Tal clima surge após o que ficou conhecido como “A Guerra dos Sessenta Minutos” que dizimou boa parte da humanidade com o uso de armas poderosíssimas.
Os que conseguiram sobreviver se reagruparam em cidades móveis que literalmente “caçam” e “engolem” umas as outras para absorverem seus recursos, tecnologias e mão-de-obra, e assim poderem se aprimorar (ou evoluir) cada vez mais. As “presas” conquistadas são completamente assimiladas e passam a integrar a população de seus predadores. Esse fenômeno social é conhecido como “Darwinismo Municipal”, e tudo se passa no grande “campo de caça” que compreende os territórios da Grã-Bretanha e Europa Continental.
No entanto, nem todos os agrupamentos urbanos são móveis e dispostos a compactuar com toda essa “selvageria”. Um enorme aglomerado de pessoas optou por permanecer estático e defender suas fronteiras como se fazia “antigamente”. Estes ficaram conhecidos como a “Anti-Traction League” (liga anti-tração) e se concentram em Shan Guo (mais ou menos o que restou da nossa China), que é protegida pela enorme Wall Shield.  
Londres é chefiada pelo Lord Mayor (uma espécie de prefeito) Magnus Crome (Patrick Malahide) e, sob suas ordens, Thaddeus Valentine (Hugo Weaving), é o “general” que conduz as explorações e caçadas. Chefe da Guilda dos Historiadores, Valentine é um homem ambicioso, temido e respeitado por todos que os cercam; cheio de segredos obscuros e objetivos latentes por baixo do olhar astuto e obstinado.
A metrópole retorna à Europa Continental em busca de caça. Magnus tem o objetivo manter Londres apenas como boa conquistadora que é, sem ter os olhos maior que o estômago. Mas Thaddeus secretamente reúne uma equipe de estudiosos das “Old Techs” em busca de recriar armas do passado e ir além do gato-e-rato diário. A ambição o faz desejar a dominação de Shan Guo e seus recursos. A fortaleza, claro, descobre os planos do inimigo e articula a defesa de sua muralha como pode. Nesse esquema narrativo de base caracterizado por ataque x defesa, a trama se desenvolve trazendo personagens e revelações inusitadas que enchem o longa de adrenalina e suspense.
Discurso
O filme tem início com uma demonstração da insaciável fome londrina com a captura da pequena cidade mineradora de Salzhaken em uma perseguição pra lá de invocada. A cidade é literalmente engolida com sucesso, mas a refeição traz uma “indigestão” pior que buchada azeda, pois entre os moradores da pequena urbe se encontra Hester Shaw (Hera Hilmar), uma jovem misteriosa e disposta a ver Valentine morto. Ele escapa por pouco, graças a interferência de Tom Natsworthy (Robert Sheehan), um jovem apaixonado por história que trabalha procurando old techs para o Museu de Londres. Na confusão, Hester revela a Tom a face oculta de Valentine. A garota consegue fugir e Tom é atirado para fora de Londres pelo próprio Thaddeus ao descobrir que o garoto sabia demais. Começa então uma violenta luta pela sobrevivência acompanhada de muita adrenalina.
Hester e Tom precisam sobreviver ao campo de caça e encontrar refúgio, por sugestão do rapaz – ingênuo, coitado –, em alguma cidade mercadora. A ideia os faz alvos de caçadores, mas conseguem se “refugiar” em Scuttlebug. No entanto, são enganados e presos para serem vendidos como escravos. No confinamento, a garota revela que Valentine matou sua mãe, a famosa arqueóloga Pandora Shaw (Caren Pistorius) quando ela tinha apenas 8 anos. O motivo? Os dois trabalhavam juntos, até que encontraram um dispositivo que possibilitaria recriar “Medusa”, a máquina de guerra mais poderosa já conhecida. Pandora tentou dissuadir Valentine e ele a assassinou brutalmente na frente da própria filha. Hester escapa da cena bizarra com um cordão entregue por sua mãe e uma feia cicatriz no rosto feita por um golpe de Valentine.
Enquanto os pombinhos em potencial contam as horas numa cela nada higiênica, Thaddeus Valentine descobre que não é o único a desejar a morte da garota. Shrider (Stephen Lang), um ciborgue “ressuscitado”, também conhecido como Stalker, está confinado em uma prisão offshore e tem sede de vingança por conta de uma promessa quebrada de Hester. A criatura é libertada e sai em busca da jovem justiceira.
Pouco tempo antes de serem vendidos como escravos num leilão grotesco – à lá feira da Parangaba –, Tom e Hester são resgatados por Anna Fang (Jihae), uma assassina com a cabeça posta a prêmio nas grandes cidades. A gata de olhos puxados mata todo mundo, mas leva uma surra de Shrider que chega bem na hora pra botar boneco na brincadeira. Eles conseguem fugir num dirigível tosco e Fang se apresenta a Hester como amiga de sua mãe. Mas não é a única surpresa: Hester foi criada por Shride! – eu também pensei “arriégua!” nessa hora – e por isso conseguiu sobreviver tão jovem no campo de caça. O caveirão de metal pretendia transformá-la em ciborgue para livrá-la das dores do mundo – arriégua de novo! – , Hester concorda com sua decisão (eis a promessa), mas foge do abrigo quando descobre o paradeiro do assassino de sua mãe.
Fang os leva para Air Haven, uma cidade flutuante membro da Anti-Traction League, e lá precisam  se reunir com os aviadores para descobrir o que Valentine está tramando e como detê-lo. Acabam descobrindo, por puro acaso, que a maleta roubada de Pandora é na verdade um dispositivo que pode ativar a Medusa dar a seu dono o poder de instaurar o caos na terra – se ligou na analogia? –. Mas antes que pudessem bolar um plano, Shrider, a múmia de ferro ressentida, descobre sua localização e taca fogo em tudo para capturar Hester – curioso como uma cidade inteira pode vir a baixo num piscar de olhos se for construída de madeira e tecido e alguém brincar com faísca dentro dela –. No fim, a garota escapa de novo, seu pai adotivo é morto por um ferimento de Fang, mas antes de, literalmente, apagar os olhos, perdoa a promessa quebrada e devolve a Hester o medalhão que sua mãe lhe dera , também antes de morrer – esse negócio tá é com a mulesta –.
O grupo desembarca agora em Shan Guo, onde contam ao governador os planos de Valentine e a fortaleza coloca todos os canhões – que não são poucos – apontados para a cidade faminta que se aproxima velozmente de suas muralhas. Mas a Medusa é ativada e no primeiro disparo manda pro espaço uma parte da muralha gigantesca... É aí que percebem porque é que o brinquedo estava enterrado por tanto tempo e não deveria ser manipulado por qualquer um. Todo mundo se desespera e começam as preces pra tudo que é deus e santo. É nesse momento que, olhando para a imagem de medusa, que por alguma razão é um ídolo de orações em Shan Guo, Hester Shaw descobre que o amuleto – aquele amaldiçoado – é mais do que um mero souvenir de sua mãe. É a própria chave que desativa Medusa! e lhe foi entregue em segredo como um trunfo a ser usado algum dia caso o pior acontecesse.
Após mais dois disparos impiedosos contra a grande muralha, os mocinhos conseguem entrar em Londres e invadir a catedral de Saint Paul, onde a arma foi alocada, e com a ajuda de Katherine Valentine (Leila George), que é filha de Thaddeus, e Bevis Pod (Ronan Rafery), amigo de Tom, desativam Medusa e “freiam” Londres. Na investida, Thaddeus Valentine acaba sendo morto atropelado pela própria cidade móvel após cair com o dirigível, mas não antes de revelar a Hester o maior segredo de todos: é sua filha.
Crítica
Christian Rivers (Minutes Past Midnight, 2016 e King Kong, 2005) é quem comanda a claquete na superprodução adaptada do livro de Philip Reeve, que traz o mesmo título, lançado em junho de 2018 pela editora americana HarperCollins. Não é muito comum que uma adaptação ocorra quase que simultaneamente à confecção da obra original, mas foi essa a aposta da Universal Pictures – não li o livro ainda, então só posso falar do filme –. Rivers é especialista em efeitos visuais e já demonstrou seu potencial anteriormente ao receber a estatueta dourada tão cobiçada por seu trabalho em King Kong (2005).
Como se não bastasse, o longa conta também com produção de Peter Jackson (O Senhor dos Anéis, 2001, 2002 e 2003), roteiro de Fran Walsh e Philippa Boyens (ambas assinam a franquia O Hobbit, 2012, 2013 e 2014) – Ôh povo pra gostar de Tolkien, Benzadeus! – e trilha sonora de Junkie XL (Batman vs Superman: dawn of justice, 2016 e Mad Max: fury road, 2015). Esse time constitui um o arranjo básico que deu origem ao longa, e em se tratando de uma promessa como essa, não poderíamos esperar nada inferior ao que já nos foi apresentado por eles nas telonas.

No mundo distópico criado por Philip Reeve, as “cidades predadoras” ilustram, com maravilhosos efeitos visuais, metáforas sociais presentes nas reflexões de diversos pensadores e críticos mundo à fora. Numa perspectiva semiótica, a obra ergue-se na oposição semântica  fundamental selvageria x civilização representada na obra por sociedades que se modernizam ao passo em que cultivam conflitos em busca de poder/alimento e findam por consumir e destruir umas às outras. Assim, a superprodução  explora uma dicotomia inerente à existência humana como conhecemos, que, num nível ainda mais abstrato de uma rede de relações semânticas, podemos identificar como natureza x cultura.
Esta relação é bastante comum entre os autores utopistas e distopistas que apostam na ficção científica para desenvolver suas ideias. Neste mesmo fulcro nasceram obras como Mad Max (filme de George Miller e Brendan McCarthy) que pende para um lado ainda mais selvagem da humanidade em um mundo pós-apocalíptico, e Admirável Mundo Novo (livro de Aldous Huxley), que no outro extremo traz uma sociedade pensada e, literalmente, fabricada, segundo ditames culturais em detrimento das manifestações “naturais” da humanidade.  

Na obra de Reeve, há um equilíbrio bastante satisfatório no que diz respeito às características de ambos os lados, a respeito do que se propõe. A natureza lhes dá necessidade, fome e desejo, e a cultura lhes fornece regras, estratégias e recursos. Mas como toda criação humana, a superprodução tem seus lados positivo e negativo... 
A produção está beirando o impecável. É um pouco estranho no primeiro momento ver duas cidades correndo por aí, sobretudo quando comparamos suas proporções, que faz com que Londres pareça enorme e grotesca e Salzhaken  minúscula e... também grotesca.  Contudo, com cenas de ação e deslocamento das grandes máquinas com um fino acabamento visual e sonoro, Rivers e XL caminham perfeitamente ao lado um do outro nos mostrando que são realmente os artistas por trás dos pulos de King Kong e da trilha sonora inteiramente em música espectral que surpreendeu o mundo em Mad Max. Mas o que dizer da condução dos acontecimentos no roteiro de Walsh e Boyens? Bom... ruim num é não, mas poderia ser melhor... Hugo Weaving (Elrong, em O Senhor dos Anéis) como Thaddeus Valentine não deixa a desejar em atuação e recebeu um dos personagens xodó dos roteiristas, pois é bem pensado, bem apresentado e caminha muito bem ao lado de Hester e Tom longo da trama, mas outros como Shrider (Stephen Lang) e Bevis Pod (Ronan Raftery) e Air Haven surgem e desaparecem no enredo com muito propósito e pouco investimento. Sobretudo o Stalker, que poderia ter feito mais estrago, dado o tamanho suspense por sua participação, mas aí nos resta aceitar que talvez seja esse o propósito dele conforme concebido por Reeve...
No mais, o filme não dá sono nem é “devagar”, se é esse o receio dos “amantes da sétima arte de todo o país” (vide Choque de Cultura). Ressalvas à parte, o investimento de duas horinhas vale a pena, sobretudo ao lado de pessoas que você gosta. Rende boas doses de suspense, humor e aventura, e você com toda certeza sairá do cinema refletindo muito sobre questões abstratas como a natureza e cultura dos homens e concretas como grandes eventos mundiais, desde os problemas diplomáticos entre Reino Unido e a União Europeia, a expansão ocidental mundo à fora, e a imposição do reino unido sobre o mercado chinês com a venda obrigatória de ópio por décadas à fio que dizimou tantas vidas a custo do vil metal, e ainda assim, os autores, ao final do filme, optam por Shan Guo receber os habitantes estrangeiros de braços abertos. Se haverá mais da franquia? Só digo é “tomara!”.

  1. trailer


  1. FICHA TÉCNICA 
Título original: Mortal Engines
Distribuidor: UNIVERSAL PICTURES
Data de lançamento: 10 de janeiro de 2019 (2h 08min)
Direção: Christian Rivers
Elenco: Hera Hilmar, Robert Sheehan, Hugo Weaving
Gêneros: Ficção científica, Aventura, Ação
Nacionalidades: EUA, Nova Zelândia


Contexto
A trama de Máquinas Mortais se passa em um futuro distante, aproximadamente no ano 3118,  em um ambiente de hostilidade constante que lembra muito cenários pós-apocalípticos como o da franquia Mad Max – exceto que ainda resta nas pessoas um senso de “civilização” consideravelmente maior, se é que podemos dizer assim –. Tal clima surge após o que ficou conhecido como “A Guerra dos Sessenta Minutos” que dizimou boa parte da humanidade com o uso de armas poderosíssimas.
Os que conseguiram sobreviver se reagruparam em cidades móveis que literalmente “caçam” e “engolem” umas as outras para absorverem seus recursos, tecnologias e mão-de-obra, e assim poderem se aprimorar (ou evoluir) cada vez mais. As “presas” conquistadas são completamente assimiladas e passam a integrar a população de seus predadores. Esse fenômeno social é conhecido como “Darwinismo Municipal”, e tudo se passa no grande “campo de caça” que compreende os territórios da Grã-Bretanha e Europa Continental.
No entanto, nem todos os agrupamentos urbanos são móveis e dispostos a compactuar com toda essa “selvageria”. Um enorme aglomerado de pessoas optou por permanecer estático e defender suas fronteiras como se fazia “antigamente”. Estes ficaram conhecidos como a “Anti-Traction League” (liga anti-tração) e se concentram em Shan Guo (mais ou menos o que restou da nossa China), que é protegida pela enorme Wall Shield.  
Londres é chefiada pelo Lord Mayor (uma espécie de prefeito) Magnus Crome (Patrick Malahide) e, sob suas ordens, Thaddeus Valentine (Hugo Weaving), é o “general” que conduz as explorações e caçadas. Chefe da Guilda dos Historiadores, Valentine é um homem ambicioso, temido e respeitado por todos que os cercam; cheio de segredos obscuros e objetivos latentes por baixo do olhar astuto e obstinado.
A metrópole retorna à Europa Continental em busca de caça. Magnus tem o objetivo manter Londres apenas como boa conquistadora que é, sem ter os olhos maior que o estômago. Mas Thaddeus secretamente reúne uma equipe de estudiosos das “Old Techs” em busca de recriar armas do passado e ir além do gato-e-rato diário. A ambição o faz desejar a dominação de Shan Guo e seus recursos. A fortaleza, claro, descobre os planos do inimigo e articula a defesa de sua muralha como pode. Nesse esquema narrativo de base caracterizado por ataque x defesa, a trama se desenvolve trazendo personagens e revelações inusitadas que enchem o longa de adrenalina e suspense.
Discurso
O filme tem início com uma demonstração da insaciável fome londrina com a captura da pequena cidade mineradora de Salzhaken em uma perseguição pra lá de invocada. A cidade é literalmente engolida com sucesso, mas a refeição traz uma “indigestão” pior que buchada azeda, pois entre os moradores da pequena urbe se encontra Hester Shaw (Hera Hilmar), uma jovem misteriosa e disposta a ver Valentine morto. Ele escapa por pouco, graças a interferência de Tom Natsworthy (Robert Sheehan), um jovem apaixonado por história que trabalha procurando old techs para o Museu de Londres. Na confusão, Hester revela a Tom a face oculta de Valentine. A garota consegue fugir e Tom é atirado para fora de Londres pelo próprio Thaddeus ao descobrir que o garoto sabia demais. Começa então uma violenta luta pela sobrevivência acompanhada de muita adrenalina.
Hester e Tom precisam sobreviver ao campo de caça e encontrar refúgio, por sugestão do rapaz – ingênuo, coitado –, em alguma cidade mercadora. A ideia os faz alvos de caçadores, mas conseguem se “refugiar” em Scuttlebug. No entanto, são enganados e presos para serem vendidos como escravos. No confinamento, a garota revela que Valentine matou sua mãe, a famosa arqueóloga Pandora Shaw (Caren Pistorius) quando ela tinha apenas 8 anos. O motivo? Os dois trabalhavam juntos, até que encontraram um dispositivo que possibilitaria recriar “Medusa”, a máquina de guerra mais poderosa já conhecida. Pandora tentou dissuadir Valentine e ele a assassinou brutalmente na frente da própria filha. Hester escapa da cena bizarra com um cordão entregue por sua mãe e uma feia cicatriz no rosto feita por um golpe de Valentine.
Enquanto os pombinhos em potencial contam as horas numa cela nada higiênica, Thaddeus Valentine descobre que não é o único a desejar a morte da garota. Shrider (Stephen Lang), um ciborgue “ressuscitado”, também conhecido como Stalker, está confinado em uma prisão offshore e tem sede de vingança por conta de uma promessa quebrada de Hester. A criatura é libertada e sai em busca da jovem justiceira.
Pouco tempo antes de serem vendidos como escravos num leilão grotesco – à lá feira da Parangaba –, Tom e Hester são resgatados por Anna Fang (Jihae), uma assassina com a cabeça posta a prêmio nas grandes cidades. A gata de olhos puxados mata todo mundo, mas leva uma surra de Shrider que chega bem na hora pra botar boneco na brincadeira. Eles conseguem fugir num dirigível tosco e Fang se apresenta a Hester como amiga de sua mãe. Mas não é a única surpresa: Hester foi criada por Shride! – eu também pensei “arriégua!” nessa hora – e por isso conseguiu sobreviver tão jovem no campo de caça. O caveirão de metal pretendia transformá-la em ciborgue para livrá-la das dores do mundo – arriégua de novo! – , Hester concorda com sua decisão (eis a promessa), mas foge do abrigo quando descobre o paradeiro do assassino de sua mãe.
Fang os leva para Air Haven, uma cidade flutuante membro da Anti-Traction League, e lá precisam  se reunir com os aviadores para descobrir o que Valentine está tramando e como detê-lo. Acabam descobrindo, por puro acaso, que a maleta roubada de Pandora é na verdade um dispositivo que pode ativar a Medusa dar a seu dono o poder de instaurar o caos na terra – se ligou na analogia? –. Mas antes que pudessem bolar um plano, Shrider, a múmia de ferro ressentida, descobre sua localização e taca fogo em tudo para capturar Hester – curioso como uma cidade inteira pode vir a baixo num piscar de olhos se for construída de madeira e tecido e alguém brincar com faísca dentro dela –. No fim, a garota escapa de novo, seu pai adotivo é morto por um ferimento de Fang, mas antes de, literalmente, apagar os olhos, perdoa a promessa quebrada e devolve a Hester o medalhão que sua mãe lhe dera , também antes de morrer – esse negócio tá é com a mulesta –.
O grupo desembarca agora em Shan Guo, onde contam ao governador os planos de Valentine e a fortaleza coloca todos os canhões – que não são poucos – apontados para a cidade faminta que se aproxima velozmente de suas muralhas. Mas a Medusa é ativada e no primeiro disparo manda pro espaço uma parte da muralha gigantesca... É aí que percebem porque é que o brinquedo estava enterrado por tanto tempo e não deveria ser manipulado por qualquer um. Todo mundo se desespera e começam as preces pra tudo que é deus e santo. É nesse momento que, olhando para a imagem de medusa, que por alguma razão é um ídolo de orações em Shan Guo, Hester Shaw descobre que o amuleto – aquele amaldiçoado – é mais do que um mero souvenir de sua mãe. É a própria chave que desativa Medusa! e lhe foi entregue em segredo como um trunfo a ser usado algum dia caso o pior acontecesse.
Após mais dois disparos impiedosos contra a grande muralha, os mocinhos conseguem entrar em Londres e invadir a catedral de Saint Paul, onde a arma foi alocada, e com a ajuda de Katherine Valentine (Leila George), que é filha de Thaddeus, e Bevis Pod (Ronan Rafery), amigo de Tom, desativam Medusa e “freiam” Londres. Na investida, Thaddeus Valentine acaba sendo morto atropelado pela própria cidade móvel após cair com o dirigível, mas não antes de revelar a Hester o maior segredo de todos: é sua filha.
Crítica
Christian Rivers (Minutes Past Midnight, 2016 e King Kong, 2005) é quem comanda a claquete na superprodução adaptada do livro de Philip Reeve, que traz o mesmo título, lançado em junho de 2018 pela editora americana HarperCollins. Não é muito comum que uma adaptação ocorra quase que simultaneamente à confecção da obra original, mas foi essa a aposta da Universal Pictures – não li o livro ainda, então só posso falar do filme –. Rivers é especialista em efeitos visuais e já demonstrou seu potencial anteriormente ao receber a estatueta dourada tão cobiçada por seu trabalho em King Kong (2005).
Como se não bastasse, o longa conta também com produção de Peter Jackson (O Senhor dos Anéis, 2001, 2002 e 2003), roteiro de Fran Walsh e Philippa Boyens (ambas assinam a franquia O Hobbit, 2012, 2013 e 2014) – Ôh povo pra gostar de Tolkien, Benzadeus! – e trilha sonora de Junkie XL (Batman vs Superman: dawn of justice, 2016 e Mad Max: fury road, 2015). Esse time constitui um o arranjo básico que deu origem ao longa, e em se tratando de uma promessa como essa, não poderíamos esperar nada inferior ao que já nos foi apresentado por eles nas telonas.

No mundo distópico criado por Philip Reeve, as “cidades predadoras” ilustram, com maravilhosos efeitos visuais, metáforas sociais presentes nas reflexões de diversos pensadores e críticos mundo à fora. Numa perspectiva semiótica, a obra ergue-se na oposição semântica  fundamental selvageria x civilização representada na obra por sociedades que se modernizam ao passo em que cultivam conflitos em busca de poder/alimento e findam por consumir e destruir umas às outras. Assim, a superprodução  explora uma dicotomia inerente à existência humana como conhecemos, que, num nível ainda mais abstrato de uma rede de relações semânticas, podemos identificar como natureza x cultura.
Esta relação é bastante comum entre os autores utopistas e distopistas que apostam na ficção científica para desenvolver suas ideias. Neste mesmo fulcro nasceram obras como Mad Max (filme de George Miller e Brendan McCarthy) que pende para um lado ainda mais selvagem da humanidade em um mundo pós-apocalíptico, e Admirável Mundo Novo (livro de Aldous Huxley), que no outro extremo traz uma sociedade pensada e, literalmente, fabricada, segundo ditames culturais em detrimento das manifestações “naturais” da humanidade.  

Na obra de Reeve, há um equilíbrio bastante satisfatório no que diz respeito às características de ambos os lados, a respeito do que se propõe. A natureza lhes dá necessidade, fome e desejo, e a cultura lhes fornece regras, estratégias e recursos. Mas como toda criação humana, a superprodução tem seus lados positivo e negativo... 
A produção está beirando o impecável. É um pouco estranho no primeiro momento ver duas cidades correndo por aí, sobretudo quando comparamos suas proporções, que faz com que Londres pareça enorme e grotesca e Salzhaken  minúscula e... também grotesca.  Contudo, com cenas de ação e deslocamento das grandes máquinas com um fino acabamento visual e sonoro, Rivers e XL caminham perfeitamente ao lado um do outro nos mostrando que são realmente os artistas por trás dos pulos de King Kong e da trilha sonora inteiramente em música espectral que surpreendeu o mundo em Mad Max. Mas o que dizer da condução dos acontecimentos no roteiro de Walsh e Boyens? Bom... ruim num é não, mas poderia ser melhor... Hugo Weaving (Elrong, em O Senhor dos Anéis) como Thaddeus Valentine não deixa a desejar em atuação e recebeu um dos personagens xodó dos roteiristas, pois é bem pensado, bem apresentado e caminha muito bem ao lado de Hester e Tom longo da trama, mas outros como Shrider (Stephen Lang) e Bevis Pod (Ronan Raftery) e Air Haven surgem e desaparecem no enredo com muito propósito e pouco investimento. Sobretudo o Stalker, que poderia ter feito mais estrago, dado o tamanho suspense por sua participação, mas aí nos resta aceitar que talvez seja esse o propósito dele conforme concebido por Reeve...
No mais, o filme não dá sono nem é “devagar”, se é esse o receio dos “amantes da sétima arte de todo o país” (vide Choque de Cultura). Ressalvas à parte, o investimento de duas horinhas vale a pena, sobretudo ao lado de pessoas que você gosta. Rende boas doses de suspense, humor e aventura, e você com toda certeza sairá do cinema refletindo muito sobre questões abstratas como a natureza e cultura dos homens e concretas como grandes eventos mundiais, desde os problemas diplomáticos entre Reino Unido e a União Europeia, a expansão ocidental mundo à fora, e a imposição do reino unido sobre o mercado chinês com a venda obrigatória de ópio por décadas à fio que dizimou tantas vidas a custo do vil metal, e ainda assim, os autores, ao final do filme, optam por Shan Guo receber os habitantes estrangeiros de braços abertos. Se haverá mais da franquia? Só digo é “tomara!”.

  1. trailer


  1. FICHA TÉCNICA 
Título original: Mortal Engines
Distribuidor: UNIVERSAL PICTURES
Data de lançamento: 10 de janeiro de 2019 (2h 08min)
Direção: Christian Rivers
Elenco: Hera Hilmar, Robert Sheehan, Hugo Weaving
Gêneros: Ficção científica, Aventura, Ação
Nacionalidades: EUA, Nova Zelândia
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