
É impressionante como, mesmo o filme não sendo dirigido diretamente pelo James Gunn, o diretor Craig Gillespie tenta emular tanto o estilo dele que o resultado sai como uma caricatura forçada, seguindo a cartilha, gerando aquela sensação clara de cópia e vergonha alheia. Fica difícil não pensar naqueles discursos engessados do próprio Gunn batendo no peito e garantindo que só aprovaria produções com roteiros rigorosamente filtrados por ele. A fotografia e o estilo de filmagem tentam adotar uma roupagem moderna com paletas desaturadas e enquadramentos dinâmicos em cenas espaciais, mas tudo soa artificial, parecendo um pastiche vazio de produções galácticas mais famosas em vez de criar a atmosfera melancólica que a história original pedia. Os efeitos visuais pesam a mão em computação gráfica que mais confunde do que imerge, e a trilha naquele velho estilo Gunn de Guardiões da Galáxia.
O único momento que se salva é a parte que explica o que aconteceu com a cidade de Kara. O resto é um copia e cola descarado de obras na forma de contar a história e na estética, misturando referências de Star Wars, Guardiões da Galáxia e Mad Max.
Se tem um ponto bom nisso tudo, é a Milly Alcock. Ela está excelente no papel e consegue ser uma boa Supergirl, carregando o peso do filme nas costas apesar da direção estranha e equivocada. O grande problema é que a abordagem e a história são ruins.
Para piorar, o Lobo do Jason Momoa entra em cena sem propósito algum na trama, tanto que se você retirar o personagem dali, absolutamente nada muda. Fica evidente que ele foi enfiado na marra só para o Gunn cumprir a promessa de dar o papel ao ator. O problema é que o Momoa virou aquele tipo de ator que faz o mesmo papel em todo santo filme, interpretando a si mesmo com a mesma persona de sempre. Se o Lobo tivesse vindo antes de tantos outros papéis idênticos dele, até passaria pano, mas chega a ser cansativo ver a mesma atuação de novo. Para ajudar, ele não faz nenhuma diferença real na história, e o que acontece com ele e com o vilão desafia o bom senso, em uma sequência infinita de forçações de barra que parecem insultar a inteligência do espectador. As coisas simplesmente acontecem por puro amparo de conveniência de roteiro, onde a única resposta para situações absurdas é um vazio porque sim.
O pior é que, ao assistirmos a um filme focado em uma personagem oriunda de Krypton, o mínimo que esperamos é ver toda a sua força e potencial em tela. No entanto, o que entregam é um cozinhamento de galo terrível, enrolando o público até dar dor.
No fim das contas, fica evidente o verdadeiro motivo do fracasso desse filme. As interações entre a Kara e a Ruthye Marye Knoll, aquela menina que só busca vingança, simplesmente não existem com substância, resultando em uma relação seca e sem vida. Para coroar o desastre, temos um antagonista mais genérico que o Taserface.
É frustrante ver uma oportunidade de ouro virar pó nas mãos de quem não entendeu a essência do material original, entregando um roteiro totalmente preguiçoso que não passa de um absoluto desperdício de tempo.
Marcio Oliveira


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