Velozes e Furiosos 9 – Quando o absurdo se torna a meta

Velozes e Furiosos 9 – Quando o absurdo se torna a meta

Sustentar a história de uma franquia até o nono filme base (com direito a spin offs), lançando-o constantemente no mercado, com certeza coloca em xeque duas coisas: a primeira se torna “que desafios ainda serão relevantes para os protagonistas após tantos filmes?”, a segunda é “de fato existe ainda uma história para ser contada, ou o foco perdeu-se para se manter a franquia?” 

é novidade para aqueles que acompanham a série de filmes. Velozes e Furiosos se inicia como uma obra de corrida de carros e mix com uma pegada thriller policial, envolvendo roubos e fugas. Ao longo dos primeiros filmes, as proezas dos personagens ainda conseguem ser levadas a sério até determinado ponto, como exímios pilotos, que conquista um público-alvo que tem apreço por corridas de carro.

Ao longo dos filmes da franquia, as proezas dos personagens se tornam cada vez mais absurda a cada arco, de forma que a obra vai fugindo completamente da proposta inicial, levando a tornar-se uma franquia de “espionagem” – com todos os elementos de “esticação da realidade”, ou basicamente “cenas mentirosas”, em um nível absurdo.  No novo filme de Velozes e Furiosos, o absurdo se torna uma constante a cada mudança de cena de ação, atingindo níveis que extrapolam a “tosqueira”, o pastelão, fazendo com que crie uma aura de vergonha alheia absurda com aqueles personagens na tela, porque eles levam a obra a sério – se fosse como os “dois cabras da peste”, que a “tosqueira” faz parte da piada, tudo bem, mas aqui não, aqui você se constrange com a atuação daquelas pessoas na telona.

Então, você pode pensar: “tudo bem, para surpreender aqueles que acompanham a franquia, eles estão exagerando nas cenas de ação, mas e quanto a história?! Há algum elemento novo a ser explorado?”. Não, com certeza não, e a forma como isso é apresentado cria falsas expectativas! Os primeiros minutos da obra apresentam até certa curiosidade sobre o passado do protagonista Dominic Toretto (Vin Diesel), que depois se constrói em uma narrativa fraca e bastante óbvia e cansativa, digna de novelas mexicanas antigas.

O roteiro está lotado de cenas desnecessárias, com momentos de um humor bastante questionável (que eu acredito funcionar para poucas pessoas), além de uma sequência enorme de acontecimentos “mentirosos” / épicos o tempo inteiro – onde a realidade é rasgada e tudo se transforma em uma verdadeira galhofa, impossível de ser levado a sério, como ocorriam nos primeiros filmes da franquia. 

Não há nenhum elemento técnico aqui que seja relevante a ser destacado, como fotografia, sonoplastia, trilha sonora, ou atuação dos envolvidos. No fim, a obra serve apenas para efeito de nostalgia, ou fãs já demasiadamente consolidados, que conseguem colocar pra dentro qualquer desenvolvimento que essa obra faça no futuro. Se Velozes e Furiosos colocou no espaço um carro (como evidenciado no trailer), daquela forma tosca, não estranhe se no próximo filme aparecer carros fugindo de dinossauros mutantes.  A lógica e o futuro da franquia se evidenciam completamente caóticas e sem qualquer compromisso com um uma ficção aceitável, ultrapassando os limites da galhofa e da “tosqueira”, um verdadeiro show de vergonha alheia.



Palestrinha do Callango Nerd, Estudante do Curso de Cinema e Audiovisual (Unifor), Mestre Jedi e em Geografia (UECE), Fotógrafo, Videomaker, amante de RPGs, filmes, livros e histórias fantásticas.

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