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Cobra Kai, Demolidor e o combate marcial nas séries da Netflix

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2021



A terceira temporada de Cobra Kai levou muitos fãs de Karatê Kid à loucura, além de conquistar uma nova legião pessoas dessa nova geração, a paixão pela arte marcial não terminou nas telas das Netflix: diversos veículos de comunicação constataram o aumento de procura por aulas de Karatê após o fenômeno Cobra Kai! O que nos leva a um questionamento importantíssimo sobre a obra:

  1. O que de fato tornou o Cobra Kai tão forte e especial nessa nova legião de fãs?
A primeira resposta para essa pergunta é fácil. Cobra Kai apresentou diversos acertos, que perpassam tanto questões nostálgicas, para os antigos fãs, como a “side quest” do Daniel, ou a forma de explorar de forma genial o passado do vilão John Kreese, entre outros vários pontos positivos explorados aqui por Marcio Oliveira: https://www.callangonerd.com/2021/01/cobra-kai-3-temporada-confira-nossa.html

Porém, um dos pontos que não é muito convencional Karatê Kid, que tem como foco a relação entre mestre e aprendiz, é a o capricho no combate apresentado em Cobra Kai. Obviamente, os confrontos em Cobra Kai não é nenhum filme do Bruce Lee, Chuck Norris, ou Jack Chan, mas existe um cuidado na produção das cenas de luta, principalmente nos combates coletivo, entre grupos rivais!

Se você reassistir essas lutas, perceba a dinâmica criada pela tensão e pelo movimento de câmera. Ali, praticamente não existem cortes, e, quando existe, eles são mínimos. Toda aquela cena foi encenada entre todas as pessoas, de forma que: as vezes eles lutam com pessoas diferentes ao longo do combate, ou seja, uma pessoa “A” começa a luta com a “B”, e do nada a pessoa “A” passa a lutar com a pessoa “C”, a “C” antes lutava com o “X”, que começou a ser atacado pelo “B” e pelo “F” ... e depois tudo se mistura, e... você entendeu!

Todo esse ensaio de transições de combates e interações entre atores foi ensaiado de forma detalhada, onde ninguém poderia errar, ou tudo voltaria para o início. Além disso, muitos dos golpes foram bem ensaiados, outros foram improvisados, de forma que um, ou outro ator, esquecia aquele chute, ou aquele murro, e defendia de fato no instinto dos ensaios! Obviamente, eles não são artistas marciais, são atores, mas deram o seu melhor para construir um ambiente de confronto que foi potencializado pelo plano contínuo e os dinâmicos movimentos de câmera!

Assim, a câmera dinâmica e plano contínuo nas cenas de batalhas entre grupos no Cobra Kai tem um único objetivo: fazer com que nós, os telespectadores, se sintam no “MEIO DA RODA PUNK de Karatê”. É essa sensação que produz essa dinâmica que faz com que o combate se torna mais real, mascarando a falta de capacidade de luta dos atores envolvidos – o que é normal, eles são atores, eles simulam ser lutadores!

  1. Mas será que essas conjunturas de ensaios, planos contínuos e câmeras dinâmicas fazem mesmo a diferença?
Vamos nos recordar dos combates que existiam em Punho de Ferro e Jessica Jones: o primeiro deles, as lutas de Danny Rand além de serem mal encenadas, são extremamente lentas, com cortes preguiçosos e desnecessários – para dar um murro, há meia hora de preparação e concentração, o que torna tudo meio “falso”. Aqui, a magia das telinhas não foi bem feita, não nos convence muito. No segundo exemplo, Jessica utiliza sua super força e simplesmente “joga” os capangas para cima, ou para o lado, não havendo um combate interessante, nem mesmo contra inimigos armados, ou mais fortes – e mais uma vez, a câmera apresenta uma dinâmica estática, com cortes, mostrando apenas o inimigo ser arremessado, algo repetitivo e que não desperta emoção alguma.

A experiência que tivemos com Demolidor torna toda a experiência de Jessica Jones e Punho de Ferro ainda mais negativa, pois aqui as cenas de combate já apresentam uma forma de montagem e construção bastante engenhosas. Na verdade, é justamente em Demolidor que criamos uma afeição com as cenas de combate em plano contínuo nas obras na Netflix, como, por exemplo: a cena do “corredor”, ou a cena da “escada”, que são icônicas. Assim, por essas três séries serem do mesmo universo Marvel, e com o acerto de Demolidor, que veio primeiro, as expectativas subiram! E, infelizmente, não foram atendidas.

As técnicas de filmagem podem manipular nossa percepção e emoção de uma forma completamente diferente, principalmente em cenas de ação e luta! E aí? Que cenas de plano contínuo de combate da Netflix te vem à cabeça depois desse texto?! Fala pra gente!
Fotógrafo por acidente, Mestrando em Geografia e cinéfilo por amor, colecionador compulsivo de cursos de produção de audiovisual por toda Fortaleza e aventureiro em produção de filmes em diversas áreas.
Fotógrafo por acidente, Mestrando em Geografia e cinéfilo por amor.

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