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Rocketman – A Odisseia de uma Estrela

terça-feira, 28 de maio de 2019

/ por Delano N. Amaral

Se você é alguém que nasceu dos anos 2000 para cá, ou, não sei, por alguma outra razão, não faz ideia de quem é Elton John, ou das músicas, esse texto foi feito para você. Se você conhece, conheceu as músicas, ou for fã, se aconchegue: está em casa. Sou fã faz 9 horas e 55 minutos e já baixando as músicas no Dezzer! Brincadeiras à parte! Vamos falar aqui de Rocketman, um filme dirigido genialmente por Dexter Fletcher e estrelado pelo brilhante Taron Egerton – e se for falar aqui de cada acerto da equipe que compõe o filme, faremos um livro e não apenas uma crítica!
O filme obviamente conta a história de Elton Hercules John, desde quando ele era Reginald Kenneth Dwight (antes de seu nome artístico), mostrando desde sua infância até os momentos mais marcantes de sua carreira profissional – que é muito difícil de desvincular do pessoal. A história de Elton é carregada de momentos épicos, muitas vezes tristes e bastante complexos. A obra cativa por tantos campos que é impossível não abraça-la: as músicas, atuações impecáveis, fotografia, figurino, direção de arte (...) tudo, ou quase tudo.
Inicialmente a montagem do filme incomoda um pouco, mas nada de grotesco. Existem pequenas transições levemente descompensadas, e vale lembrar que Dexter Fletcher trabalhou na equipe técnica em Bohemiam Rhapsody – ou, para a maioria dos brasileiros, o “Filme do Freddie Mercury”. Apesar do Oscar, houve alguns erros que atualmente são mais notáveis e que, felizmente, não se repetem tanto aqui! A lição vem sendo aprendida!
Outro ponto que é estranho no começo é entender a genialidade da forma de contar a história do filme: este é um musical, e como o gênero mesmo se caracteriza, bebe da abstração. Para alguns, os não acostumados, o início é um verdadeiro choque, mas você se acostuma! Dessa forma, a narrativa é uma verdadeira poesia, que caminha entre a dura realidade de Elton e a beleza de suas músicas, que narram sua odisseia maravilhosa através da vida em busca de seus sonhos e daquilo que mais falta no mundo, principalmente nos dias de hoje: amor.
A falta deste que ele tanto busca (o amor), junto a seu sonho pela música e sua personalidade capitalista doentia e compulsória, cria uma desventura em série que torna-se uma verdadeira jornada. Nela, nosso herói, Elton, o homem que tudo compra, que tudo usa, ou consome, e que em todos os cantos vai, não percebe que ele emergiu tão profundamente nesse sistema, que, agora, tornou-se apenas uma engrenagem, um produto, objeto e serviço. E se comportar como tal, sobreviver a isso por tanto tempo, é desumano. Um desafio que pode ser fatal.   
A história passa no ponto de vista do protagonista, são dele as lembranças, os medos, os discursos (...) todo o ponto de vista. E o musical se apropria disso: brinca com ritmo, com as transições de cena e cada memória tem uma canção que, genialmente se encaixa com o momento, nem sempre sendo muito feliz. A sua história são as suas músicas, suas músicas são sua história. Legado e vida, uma só.
A ênfase do árduo caminho de Elton é importante porque lá há o preço do sucesso, por trás de uma grande estrela que muito brilha, pode haver muita solidão e dor. As músicas tristes e sinceras que nós escutamos por vezes não temos ideia do peso e do preso que foi sua criação. Essa dor o nosso Rockman carregou por anos, ascendeu e brilhou na escuridão, muitas vezes sozinho. E o grande medo em sua jornada é que ele fosse apenas uma explosão, e não uma estrela que ficaria lá no céu para nós.

E aqui vale a reflexão sobre a intensa jornada de Elton:

Quantos artistas conhecemos que, infelizmente, nós o perdemos antes da hora certa de partir? Drogas. Álcool. Remédios. Suicídios. Quantos não conseguiram sair dessa estrada mortal? Quantos “Rocketmans” voaram e não voltaram para nós? Ascenderam, e lá no alto, explodiram. O mundo é cruel. O mundo capitalista que cerca os campos da arte, da música, do rock n’roll, podem ser muito mais.
 Os diálogos são fortes, bem trabalhados, com profundidades maravilhosas e que criam uma importância crucial para a complexidade do filme. Essas conversas entre os protagonistas e as abstrações poéticas visuais revelam muito da obra, que não é apenas sobre como foi, como era, mas sim como ele se sentia e como ele fazia as pessoas no seu show se sentir. E ali o palco é quase um personagem: por vezes tortura, por vezes um templo.
Para a alegria dos fãs, a direção de arte foi formidável com maquiagem, figurino e toda uma ambientação que proporciona uma viagem no tempo de forma que, todas as roupas, a aparência, os detalhes (...) foram trabalhados com um cuidado invejável. A atuação de Taron Egerton, junto a essas ambientações artísticas técnicas engenhosas, entrega uma encarnação impecável de Elton, de forma que o ator fica invisível aos olhos ao longo da obra, não vemos mais Taron, apenas Elton. Não é sobre o físico, não é sobre as mudanças do corpo, é tudo: olhar, jeito de falar, risos, andando, performances, caras e bocas.
O roteiro é envolvente, a montagem que engasga um pouquinho no começo, não consegue balança-lo. As transições temporais, de saltos na história, são geniais. Isso porque há tanto o que falar na odisseia de Elton que não há espaço para o monótono. Sua música, a boa história, a fotografia exuberante junto a uma coreografia cativante e a elementos diversos já citados faz com que o filme seja um transe, um verdadeiro devaneio sobre a história de um guerreiro, uma estrela, e, acima de tudo, um ser humano.
Valem muito a pena assistir esse épico musical que conta a história de como Reginald Kenneth Dwight “tem que matar quem você é pra ser quem você quer ser” e se tornar Elton Hercules John. Esse filme não foi feito apenas para fãs, foi feito para contar a história de uma lenda, e lendas sempre conquistarão novos fãs. Libere espaço no telefone para baixar as músicas depois, abra sua cabeça para assistir um lindo devaneio em uma tela gigante e seja muito feliz nos cinemas.

  1. Trailer

  1. Ficha técnica
Título original: Rocketman
Data de lançamento: 30 de maio de 2019 (2h 01min)
Direção: Dexter Fletcher
Elenco: Taron Egerton, Jamie Bell, Richard Madden
Gêneros: Biografia, Comédia Musical
Nacionalidade Reino Unido

Fotógrafo por acidente, Mestrando em Geografia e cinéfilo por amor.


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