O filme começa bem leve, com cara mesmo de Sessão da Tarde. É uma história de família, em que a gente vai conhecendo os personagens, seus problemas, suas particularidades e aquela vizinhança típica de cidade pequena, com o vizinho problemático e uma rotina aparentemente normal.
Só que, logo após a revelação dos dinossauros, tudo muda de 8 a 80. O que até então tinha uma pegada leve muda completamente de tom e sai de uma classificação livre direto para +16. A coisa fica realmente brutal. Teve uma cena específica em que eu fiquei olhando para a tela pensando... sem palavras.
E acho que essa mudança funciona justamente porque o filme não passa o tempo inteiro tentando ser brutal. Ele deixa você confortável primeiro. Faz você conhecer aquela família, entender aquela rotina e se acostumar com aquele universo. Quando a pancada vem, você não está preparado.
Isso também ajuda a explicar outra coisa que gostei bastante: o filme é imprevisível.
Quando se fala em dinossauros, é quase automático pensar em Jurassic Park. Quando eu vi um bairro inteiro tendo que lidar com dinossauros, pensei imediatamente: "Pronto, vai ser Jurassic Park de bairro."
Mas não é.
E ainda bem.
O filme segue por outro caminho, muito mais interessado no mistério, nos problemas familiares e na viagem no tempo. E aqui eu sou suspeito, porque gosto muito dessa temática. E não estamos falando de outra dimensão, multiverso ou universo paralelo. É viagem no tempo mesmo.
Também gostei bastante da maneira como os dinossauros são representados. O filme foge daquela imagem clássica que o cinema criou durante décadas e tenta trazer uma visão mais próxima do que a ciência conhece hoje, inclusive com dinossauros emplumados.
Agora, os efeitos especiais são um ponto mais complicado. Eles oscilam bastante. Em alguns momentos funcionam bem dentro da proposta, mas em outros ficam bastante artificiais. Para um espectador comum, talvez passe tranquilamente. Para alguém cri-cri que nem eu, nem tanto.
Em determinadas cenas, comecei a prestar mais atenção no efeito do que no que estava acontecendo. E aí a imersão vai embora um pouco.
Outro ponto que me deixou com uma sensação estranha foi a trama da menina que eles resgatam. Existe uma certa insinuação envolvendo a personagem, mas as coisas acabam ficando meio desconexas. É como se houvesse uma ideia ali que não tivesse sido totalmente integrada ao restante da história.
Não chega a comprometer o filme, mas foi uma das poucas coisas que realmente me deixou pensando: "Tá... e isso aqui?"
Anne Hathaway e Ewan McGregor funcionam bem como o casal em crise. A situação em que os dois são colocados acaba aproximando os personagens e dando uma evolução interessante à relação entre eles.
Também gostei de o filme não explicar absolutamente tudo. Algumas coisas ficam abertas, permitindo interpretações diferentes. E eu particularmente gosto quando um filme termina e ainda deixa alguma coisa para a gente matutar depois dos créditos.
No fim, não acho que seja um filmaço, e ele também não se propõe a isso. Não é um filme que tenta transformar uma história simples em um espetáculo gigantesco. Ele sabe o que quer ser e funciona justamente dentro dessa proposta.
É uma aventura de ficção científica com clima de filme dos anos 80, misturando família, mistério, viagem no tempo e dinossauros. Tem seus problemas, principalmente nos efeitos visuais e em alguns elementos da trama, mas também tem personalidade.
É um filme bom, divertido e imprevisível.
Talvez não fosse o tipo de filme pelo qual eu pagaria um ingresso no cinema, mas em casa funcionou muito bem.
E, principalmente, conseguiu fazer algo que eu valorizo bastante em um filme: me surpreender.

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