Assisti A Última Casa da dona Netflix no domingo, mas eu quis esperar até ter vontade de escrever sobre ele. Nem que fosse só para deixar um aviso para quem ainda não viu.
O filme começa até despertando uma certa curiosidade. A premissa é interessante, mostrando uma vizinhança nos Estados Unidos onde ninguém conhece ninguém, típico, até que, de repente, as pessoas ficam presas dentro das próprias casas e ninguém sabe o motivo. Apenas especulam. O filme vai soltando uma informação visual aqui, outra ali, mas mantém aquela sensação de que existe alguma coisa muito maior por trás daquilo.
Só que, passado esse primeiro estranhamento, o filme vai ficando interessante. Não é exatamente descobrir o que está lá fora, pelo menos durante boa parte do filme, mas acompanhar aquela família tentando sobreviver dentro daquela casa. Eles precisam descobrir como conseguir comida, como manter água, como cultivar alguma coisa, como lidar com a falta de medicamentos e, principalmente, como continuar convivendo depois de passar tanto tempo presos no mesmo lugar.
E essa parte funciona. Eles vão se adaptando àquela situação enquanto os vizinhos, que estão vivendo praticamente a mesma coisa, não conseguem fazer o mesmo e vão morrendo aos poucos. É quase como acompanhar um episódio de uma série, vendo aquela família encontrar maneiras de sobreviver enquanto a gente continua sem saber exatamente qual é a relação de tudo aquilo com a chuva.
Tem um momento em que o filme finalmente sai um pouco daquela rotina e consegue criar uma tensão de verdade. A Ann, personagem da Greta Lee, precisa sair da casa para buscar medicamento e, quando está voltando, uma das criaturas começa a persegui-la. Esse, para mim, foi um dos melhores momentos do filme, porque finalmente aquela ameaça que estava sendo construída deixa de ser apenas uma coisa misteriosa do lado de fora e vira um perigo concreto.

E eu gostei muito da Greta Lee. Ela tem uma presença muito boa e, sinceramente, espero vê-la em outras produções, porque foi uma das coisas que eu tirei de positivo daqui.
O filme também faz um salto temporal em que os personagens envelhecem e acontece a troca dos atores. Só que as versões mais velhas dos filhos não me agradaram muito, principalmente a menina. A criança tinha carisma. A adolescente é uma mosca morta.
Até aí eu estava acompanhando o filme tranquilamente. Não estava achando nenhuma maravilha, mas tinha uma história ali. Você fica querendo saber o que está acontecendo, esperando descobrir qual é a relação de tudo aquilo com a chuva, até que eles finalmente revelam... mais ou menos.
E é aí que está o problema.

É o que acontece, por exemplo, em A Chegada, com a Amy Adams. O filme consegue trabalhar o desconhecido sem precisar transformar tudo simplesmente em um monstro que você olha e já sabe o que é. Só que A Última Casa passa longe disso.
Não precisava explicar tudo. Poderia até ter uma explicação que trouxesse algum fundamento para aquilo, alguma coisa que fizesse a gente pensar depois do filme. Mas a revelação através de monstros aquáticos genéricos, que chegam do nada, sem um propósito real, fazem tudo aquilo e depois vão embora do nada, foi simplesmente broxante.
Tudo que tinha de interessante vai embora naquele momento.
E o pior é que, no final, o filme acaba sem dar nenhum indício do motivo de absolutamente nada. A gente pode até especular, criar teorias e tentar encontrar uma explicação, mas o filme mesmo não diz e não mostra.
Eu não sou contra filme que deixa mistério no ar. Pelo contrário. Às vezes é muito melhor não explicar. O problema é quando o filme passa tanto tempo construindo um mistério e, quando finalmente resolve mostrar a resposta, a resposta não acrescenta nada.
E isso me lembrou O Dia D. O filme passa um tempão criando uma expectativa para, no final, ser praticamente nada.
A Última Casa até me deixou curioso. Tinha uma premissa interessante, uma situação de sobrevivência que funciona razoavelmente bem e alguns momentos de tensão que realmente funcionam. Mas, quando terminou, fiquei com aquela sensação de que era melhor ter ido assistir ao filme do Pelé.
Marcio Oliveira 2.5
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