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VOCÊ NEM IMAGINA | Maturidade na Comédia Romântica

sábado, 16 de maio de 2020

Eis um filme que surpreende bastante a gente ao assistir. Sim, é uma comédia romântica infanto juvenil e, sim, ela é bastante diferente de muito do que a gente consome desse gênero. “Você nem imagina” conta a história de Ellie Chu (Leah Lewis), uma garota que mora com o pai em uma cidade pequena. Ela é ateia, de humor bastante pesado, inteligente e calculista e aceita ajudar Paul Munsky (Daniel Diemer), um garoto completamente diferente dela, a conquistar Aster Flores (Alexxis Lemire). 

Até aí, fórmula normal, certo? 

Só tem um problema: Ellie, assim como Paul, também é apaixonada por Aster. E, ao se passar pelo garoto em recados de redes sociais e cartas, ela fala tudo o que sempre quis dizer para Aster – que descobre que a garota é extremamente parecida com ela, uma “alma gêmea”. Enquanto isso, na linha de frente, Paul, o nosso atleta, cozinheiro, religioso, não faz a menor ideia de como trocar 5 palavras com a garota de seus sonhos, que é extremamente parecida com Ellie, puxando para debater com ele assuntos como política migratória, artes visuais e poesia, o que a torna um desafio absurdo. 

Dessa confusão sai um triangulo amoroso completamente maluco e com muita maturidade da poética de como funciona os sentimentos na realidade, como as coisas se misturam, se confundem, mas não são nada simples. Muito pelo contrário, a obra faz uma constante reflexão sobre o amor, o que é o amor, como pensar o amor, como funciona o tratamento desse sentimento; e essa análise é bastante pé no chão, assim como o desenrolar do filme. Nada sai da cartola do nada, nada cai como uma luva, nem no filme, nem na realidade, muito pelo contrário. A arte aqui imita a vida de uma forma engenhosa.

Não é um “filme de Oscar”, de super premiações etc., ou de ser super ovacionado (que se fosse, seria ótimo), mas que, para a proposta dele, é um filme bastante coerente, diferenciado e com uma proposta muito bem trabalhada. A direção e o roteiro feito por Alice Wu passa uma reflexão pessoal em cada detalhe da história, ali podemos ver como ela visualiza a complexidade dos vários tipos de amor e da confusão que é a relação entre as pessoas. 

A fotografia e a edição brincam com o cenário a sua volta para construir alguns momentos de poéticas visuais na construção da história. De forma que não só relatam a forma de comunicar dos jovens, com as mensagens etc., mas trabalha uma forma de “salto temporal” bastante convidativa. A trilha sonora tem um certo espaço significativo no filme, principalmente para aqueles que imergem nas reflexões sobre o amor que ocorre na obra.

Obviamente, o filme tem sim alguns momentos de comédia romântica, com piadas não tão funcionais e momento “bobos”, nada imprevisíveis. Mas, no geral, a obra é um ótimo ensaio para comédias românticas mais complexas, que se aproximam do amor que existe de fato na realidade; que se aproxima de experiências que já tivemos, ou que algum amigo já teve. A obra é um exemplo da boa comédia romântica, que faz rir, que diverte, mas que fala do amor com maturidade, aquele que as pessoas em sua adolescência realmente vivenciam.

  1. trailer

  1. ficha técnica
Título original: The Half Of It
Lançamento: 1 de maio de 2020 na Netflix
Duração: 1h 44min
Gênero: Comédia, Romance
Direção: Alice Wu
Elenco: Leah Lewis, Alexxis Lemire, Daniel Diemer
Nacionalidade: EUA
Distribuidor: Netflix
Ano de produção: 2020

Fotógrafo por acidente, Mestrando em Geografia e cinéfilo por amor.

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