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SONIC - O FILME | Confira nossa análise

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2020

A maioria dos fãs entusiasmados com o filme vai lembrar que muita expectativa foi gerada durante e após o embaraço da primeira versão em animação do Sonic exibida pelos produtores. O problema, a partir da pressão do público desgostoso com o que viu, foi corrigido. Mas isso gerou outro problema... O trailer que se seguiu parece ter tido mais interesse em mostrar que o conserto na aparência do Sonic foi bem sucedido, selecionando muitas cenas do personagem em situações variadas, do que em mostrar outros elementos empolgantes da trama, e até de outros personagens importantes, como Ivo Robotnik, que talvez seriam bem mais interessantes para atrair o público antes da estreia. 

Por esse motivo, a apresentação do trailer, mesmo com o ânimo de ver o Sonic corrigido, não consegue convidar para o filme como deveria, e mesmo os fãs apaixonados pelos jogos e pelo desenho podem ter uma sensação – como eu tive – de que o filme pode(ria) ser decepcionante. Felizmente, o filme se sai muito melhor do que o trailer faz parecer, e a crítica da imprensa pode compensar o desastre (aos que têm interesse, aconselho assistir ao filme desconsiderando o trailer. Vá direto ao cinema, talvez a experiência seja mais agradável sem essa sensação inicial).

Na trama, Sonic (Ben Schwartz) é obrigado a sair de seu planeta natal ainda criança para sobreviver, pois seus poderes extraordinários estavam chamando muita atenção e criaturas malignas tentaram matá-lo (nem isso o trailer conseguiu deixar claro, confundindo tudo, fazendo parecer que sua missão era salvar alguma coisa que não ele mesmo). O lugar escolhido por sua protetora foi o planeta Terra. 

Então, o querido ouriço azul aligeirado passa dez anos em completo anonimato numa cidadezinha interiorana dos EUA, até ser descoberto acidentalmente quando perde o controle e causa uma explosão que faz derrubar toda a energia em todo o noroeste do Pacífico. Ninguém menos do que Dr. Ivo Robotnik (Jim Carrey) é designado para investigar os acontecimentos e tem-se início uma caçada a Sonic, que precisa da ajuda de Tom Wachowski (James Marsden) para sobreviver e conseguir recuperar seus anéis mágicos (que abrem portais) e fugir da Terra, já que seu anonimato foi comprometido.

Ainda não conheço a versão dublada, mas o original traz um belíssimo desempenho de Ben Schwartz, que vive o personagem na medida certa não parecer infantil demais, de maneira que pudesse restringir o foco a esse público. Mais alegre, extrovertido e entusiasmado que a versão dos desenhos, o Sonic de Schwartz consegue ser envolvente e encantar os fãs com um conjunto de características suficiente para agradar os que estavam com saudade e conquistar novos públicos, sobretudo o infantil (mas o que é ser criança, né?).

Sob direção de Jeff Fowler, é uma boa produção, que traz efeitos visuais bastante interessantes, personagens bem construídos e cenas de ação interessantes, além da milagrosa – necessária – correção na aparência de Sonic após a polêmica da primeira versão. A trilha sonora de Junkie XL (Alita - Anjo de Combate, 2019) é muito bem desenhada para dar vida a cada cena e temperada com elementos temáticos clássicos dos jogos do personagem, aumentando a nostalgia de quem era viciado nos jogos do ouriço desde os anos 90 e dando uma primeira experiência agradável para quem vai conhecer o Sonic a partir dos filmes. 

Infelizmente, como nem tudo é perfeito, não poderia deixar de mencionar que, apesar do bom desempenho geral, há problemas no roteiro que não o permitem alcançar uma classificação de filme excepcional do gênero: há um investimento um pouco exagerado com o status de “filme família” que compromete a experiência do público mais exigente... pesando a mão em situações e comportamentos clichês demais, típicos de sessão da tarde. Mas os prejuízos do tipo são relativizados e toleráveis em razão do carisma de Sonic e a excentricidade de Dr. Robotnik, reinventado por Jim Carrey com um ar de gênio do crime bastante performático com as tradicionais caras e bocas do ator, menos “grave”, mas não menos perigoso que o Eggman dos desenhos.

(Curiosidade: há uma espécie de correção ética no filme, quando Sonic justifica o apelido “Eggman”, ou a versão “cabeça de ovo”, pelo formato dos drones de Robotnik, e não por sua cabeça raspada, já que Robotnik ainda nem é careca nesse primeiro encontro entre os dois – Sim, pelas duas cenas pós-créditos, decididamente haverá mais encontros!!. A decisão é claramente pra evitar bullying entre o público infantil, então tudo bem, que seja). 

De modo geral, é um bom filme para início de franquia, que mesmo não apresentando conteúdo suficiente para ser qualificado um dos melhores da atualidade, não decepciona no propósito de ser um filme para assistir com os filhos, entretenimento e encanto para duas gerações. Dá pra assistir a qualquer hora, só ou com a família, e se divertir bastante em ambos os casos. Dica: espere os pós-créditos! São duas cenas intercaladas. Muita coisa ainda vem por aí!! 

  1. Trailer

  1. Ficha técnica
Título original: Sonic the Hedgehog.
Direção: Jeff Fowler.
Elenco: Ben Schwartz, Jim Carrey, James Marsden, Tika Sumpter, Neal McDonough, Adam Pally.
Roteiro: Joshua Miller.
Produção: Neal H. Moritz, Toby Ascher.
Trilha sonora: Junkie XL.
Duração: 1h 40m.
Estreia no Brasil: 13/02/2020.
Empresas envolvidas: Sony Pictures, Maza Animation, Original Films, SEGA, Paramount Animation/Pictures.

Professor de música, semioticista, crítico de cinema, comedor de cuscuz e ouvidor de baião.


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