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CRÍTICA | Aves de Rapina: Arlequina e sua Emancipação Fabulosa

sábado, 8 de fevereiro de 2020

Aves de Rapina é um filme de separação, de rompimento. Isso é óbvio desde o primeiro momento em que Harley Quinn (Margot Robbie, reprisando seu papel no Esquadrão Suicida) explica através de um prólogo animado sua história como psiquiatra que se apaixonou pelo vilão mais notório de Gotham City, arqui-inimigo de Batman, o Coringa. Ela brilha através da complicada série de eventos que levaram ao fim do relacionamento abusivo. É assim que você obtém a legenda, escrita na voz intencionalmente desagradável de Harley: a emancipação fantástica de uma Harley Quinn. Até o nome da personagem é proposital para se parecer Harlequin (Arlequina em inglês). È como se ela fosse predestinada desde nascença a se intitular Arlequina.

Mas Aves de Rapina não é apenas sobre o rompimento de Harley com o Coringa, que não aparece nesse filme, a não ser por de alguns disparos extremamente rápidos em que ele nem está completamente enquadrado (vai ver Jared Leto cobrou alto para aparecer). 

O filme parece querer formar uma grande equipe com Quinn e vários outros anti-heróis da DC e uma policial rejeitada, mas, na realidade, a história se concentra diretamente em Harley e na cambada de vagabundos que querem se vingar dela agora que ela não está mais sob a proteção de Coringa. O principal desses rancorosos é Roman "Máscara Negra" Sionis (Ewan McGregor, que vocês conhecem por Obi-Wan Kenobi), um senhor do crime caricaturalmente vaidoso e possessivo, com o desejo de expandir seus negócios no submundo da cidade de Gotham. Quando Sionis captura Quinn, os dois fazem um acordo: ele poupará a vida dela se ela conseguir um diamante com segredos da máfia gravados nele. Mas aí vem o velho clichê onde na verdade ele planeja matá-la de qualquer maneira, Sionis também contrata todos os caçadores de recompensas em Gotham para correr atrás do diamante também.

E é através dessa caça ao tesouro que Aves de Rapina apresenta e reúne seus principais atores: Cassandra Cain (Ella Jay Basco) é uma descuidista que tropeça no diamante, Helena "Caçadora" Bertinelli (Mary Elizabeth Winstead) é uma assassina persegue o diamante para por motivos pessoais, Dinah “Canário Negro” Lance (Jurnee Smollett-Bell) é uma cantora que é promovida a motorista de Sionis que se vira contra ele, e a detetive Renee Montoya (Rosie Perez) que é a policial rejeitada que falei.

Infelizmente, o elenco é apresentado através de uma linha do tempo de vai e vem que revisita os eventos da primeira semana da Harley após a separação antes de retroceder nos momentos-chave para explicar como cada nova face é importante na trama. Embora o mais provável seja dar ao filme uma sensação cinética e divertida - Aves de Rapina prefere morrer do que pisar no freio. Cada personagem e performance é de certa forma vibrante e divertida, mas não tanto quanto de Harley e Sionis. Embora todo mundo seja ótimo, McGregor é o único ator que se aproxima do nível de energia de Margot Robbie, se entregando alegremente ao desempenho mais desprezível possível. 

A boa notícia é que o filme abandona essa estrutura irregular no meio do caminho, principalmente em favor de um caos inabalável. Há coisas que podem ser irritantes sobre isso - o filme não pode dar um soco sem que uma música extremamente ruim comece a tocar e ainda por cima em câmera lenta - mas há muito mais pra se gostar quando Aves de Rapina se entrega ao caos de Arlequina.

Este é um filme de super-anti-herói que não dá a mínima para a aparência de sua ação e não está interessado em confiar apenas nos CGI’s para dar um toque de cor às cenas de luta. Praticamente todas as grandes lutas do filme são coreografadas e encenadas da maneira mais interessante possível: fumaça azul e rosa enchem o ar só pra combinar com os cabelos de Arlequina, um lançador de granadas dispara bombas de purpurina, uma perseguição de carros, moto e patins, e a maior catiripapo do filme se passa em um parque de diversões. Adicione isso com o tremendo talento de Robbie para comédia física e todos os personagens com uma personalidade distinta expressa através de seu estilo de luta, e as grandes peças do filme estão entre as mais divertidas do cinema de super-heróis moderno.

Aves de Rapina trás também um certo saudosismo pois estranhamente, nos faz lembrar de Batman Forever e Batman & Robin, filmes que encaravam Gotham City como um teatro de neon cheio da arquitetura mais alta possível e personalidades ainda mais altas, e isso é de certa forma coisa boa. Certamente, o filme se inclina um pouco demais para o estilo comédia, mas com assassinatos, o que de certa forma é muito mais preferível do que o Universo Cinematográfico da Marvel, muito seguro e cada vez mais obsoleto. Tudo pode acontecer, e Aves de Rapina saboreia o caos que isso implica.

Essa energia maníaca é tudo o que mantém as Aves de Rapina unidas às vezes, e o fato de todos os seus personagens parecerem prosperar torna ainda mais decepcionante que o filme não precise de tempo para conhecê-las melhor. É quase o suficiente para atrapalhar o filme, mas em uma hora e 47 minutos de espetáculo genuinamente divertido, é difícil aguentar muito. Cathy Yan, que dirigiu o filme deu uma nova visão ao chamado Girl Power, com um trabalho realmente ótimo no desenvolvimento do longa e desse personagem tão irritantemente irreverente e ao mesmo tempo que caiu nas graças dos fãs. 

Em Aves de Rapina, Arlequina arrasa e abusa de seu charme para conquistar de novo a platéia com sua loucura e o tesão incontrolável pelo caos e pela condição de fora da lei, nos presenteando com doses exageradas de humor. Harley está sempre tentando ser boazinha dentro de suas limitações e até conversa com a gente olhando para a câmera, tipo Mathew Broderick em Curtindo a Vida Adoidado. Aí vem a pergunta que não quer calar: Vale à pena ver essa doida? Vale sim. Vai lá...

  1. trailer
  1. ficha técnica
Aves de Rapina: Arlequina e sua Emancipação Fantabulosa (Birds of Prey: And the Fantabulous Emancipation of One Harley Quinn) – USA, 2020
Direção: Cathy Yan 
Roteiro: Christina Hodson
Elenco: Margot Robbie, Mary Elizabeth Winstead, Jurnee Smollett-Bell, Ewan McGregor, Rosie Perez, Ella Jay Basco, Chris Messina
Duração: 109 min.


Professor de Inglês e também crítico de cinema. Fã de carteirinha de filmes de ficção, ação e aventura, mas sempre com o olhar diferenciado para cada gênero de modo a transmitir com máxima fidelidade a minha impressão real sobre cada filme. Apesar do estrangeirismo do nome sou 100% cearense.


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