Sicário: Dia de Soldado | Vale ou não a pena assistir? Leia nossa crítica



Título original: Sicario: Day of the Soldado
Data de lançamento: 28 de junho de 2018 (2h 02min)
Direção: Stefano Sollima
Elenco: Benicio Del Toro, Josh Brolin, Isabela Moner
Gêneros: Suspense, Ação
Nacionalidade: EUA
Distribuidor: SONY PICTURES
Ano de produção: 2018

Dessa vez, com a direção de Stefano Sollima, um diretor com práticas recentes em longas-metragens  (Suburra, 2015; ACAB, 2012), temos a continuação da franquia Sicario com "Dia de Soldado". A estética narrativa já caracteriza em um blockbuster que renderá mais alguns filmes e tenta manter o mesmo nível do primeiro: "Terra de Ninguém". A  obra não apresenta delongas para mostrar seu onde caracterizara seu plot: a fronteira dos Estados Unidos, os cartéis de drogas, os refugiados, os imigrantes ilegais e os atentados terroristas. Assim, muito mais que um filme de suspense e ação, este propõe uma reflexão sobre questões geopolíticas ligadas a fronteira e segurança nacional, temas presentes nos jornais nos últimos anos.

O elenco é inquestionavelmente talentoso, assim como no primeiro filme, temos Benicio Del Toro e Josh Brolin, ambos mostrando vasta experiência. Os dois estão em uma fase incrível, atuando em uma densa sequencia de filmes que são extremamente relevantes para os amantes da cultura pop: Vingadores: Guerra Infinita , Deadpool 2, Star Wars: Os últimos Jedi, Guardiões da Galáxia (...).  Isabela Moner obviamente não tem a mesma experiência desses grandes nomes, mas a pequena atriz já mostrou que tem bastante talento e consegue fazer sua atuação brilhar no filme tranquilamente. Seguindo esse ritmo, não há dúvidas que ela é uma grande promessa no campo da atuação para os próximos anos.

A fotografia do filme, mesmo em momentos diurnos, mantém sua temperatura fria na maioria do tempo. Há diversos momentos em que a iluminação provoca a luz para atuar apenas em um lado do rosto, deixando o outro lado escuro, ou banhado de sangue. Sempre há esses contraste, os dois lados de um homem, luz e trevas. Os bons efeitos e a frieza na construção de cenas gera uma atmosfera bastante realista logo nos primeiros momentos. Assim, nós sentimos o peso da prática do terrorismo de perto, em poucas cenas que são bastante curtas, o terror nos é posto em uma proximidade inquietante sobre sua crueldade. Diante disso, levanta-se a a mão esquerda e a face sombria dos homens, os Sicarios, para fazer o "trabalho que precisa ser feito". Monta-se uma equipe com aqueles que podem, e que querem, sujar as mãos. As estratégias são feitas por aqueles que entendem do submundo e usam suas armas contra os mesmos.

Como dito anteriormente, a geopolítica do filme é forte e bastante atual. O presidente dos EUA tem elementos hiperativos e inquietantes como Trump, em certo momentos é possível perceber na fronteira a ideia do muro proposto, sendo aqui, imaginário, formado por uma guarda extremamente cruel e eficaz. A corrupção do sistema tem múltiplas faces, sem preconceitos e o submundo se choca de forma intrigante. Os múltiplos arcos da história são bem construídos, deixando a história densa e um tanto quanto lenta, mas que chega a envolver o público. Todavia, certas coisas podem ficar um pouco confusas no filme pela complexidade das relações do "antagonismo" proposto na história. Não chega a ser necessariamente um buraco de roteiro, só os "momentos chave" de certos diálogos exigem um pouco mais de atenção. Algumas motivações de certos personagens podem ser questionáveis, mas isso vai de cada um que assiste a obra.

As cenas de ação: tiros, perseguições (...) são construídas de forma engenhosa e, claro, exaltam a soberania americana (aqui, nada de novo). A trilha sonora cria marchas mentais envolventes que proporciona uma base para os momentos pontuais de suspense extremamente funcionais, embasadas por um roteiro que surpreende, talvez, mais de uma vez no filme. Com um pouco mais de duas horas de filme, sendo algumas horas denso e outros corridas, Sicario: Dia de Soldado é um filme funcional, porém, como todo filme "militar americano", defende interesses nacionais com uma poética levemente duvidosa e soberania exaltada. Todavia, aqui, destaca-se, romantizado, ou não, o lado negro dos Estados Unidos de resolver seus conflitos.

4 de 5 estrelas.


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