CRÍTICA | O Lar das Crianças Peculiares em 3D


E aí "negada", estive nessa terça feira (27/09) com meu amigo Ronald Luis em uma sessão de imprensa de O Lar das Crianças Peculiares em 3D. O filme se trata de uma adaptação literária, mas como eu não li o livro, a crítica será feita apenas como um filme e não como adaptação. Agora sem vamos deixar de "leruaite" e partir para o que interessa...

Título original: Miss Peregrine's Home For Peculiar Children
Data de lançamento: 29 de setembro de 2016 (2h 07min)
Direção: Tim Burton
Elenco: Eva Green, Asa Butterfield, Samuel L. Jackson mais
Gêneros: Aventura, Família, Fantasia
Nacionalidades: Eua, Bélgica, Reino unido
Distribuidor: Fox Film do Brasil
Ano de produção: 2016
  • "Já assisti Harry Potter e X-Men, o que O Lar das Crianças Peculiares vai trazer de novo e diferente para o cinema?"
Esse foi o meu questionamento antes de assistir ao filme.

Não é de hoje que Tim Burton anda meio ruim das pernas, com produções que decepcionaram bastante e O Lar das Crianças Peculiares acaba de entrar para a lista. O tão aguardado filme chegou com uma promessa de reviver os melhores momentos do diretor e trazer o mundo da magia que está órfão desde o último filme da franquia Harry Potter, mas não é bem o que acaba acontecendo.

A história começa com um garoto chamado Jake (Asa Butterfield) que tem uma grande proximidade com seu avô Abe (Terence Stamp), tão grande que sua relação com os pais se torna até insignificante. Desde criança Jake ouvia histórias contadas por seu avô sobre monstros e crianças com habilidades especiais, como uma garota que flutuava e um menino invisível e que eram cuidados por uma mulher, srta. Peregrine (Eva Green), com o poder de se transformar em um pássaro quando quisesse. Depois da misteriosa morte de seu avô, Jake acaba vendo uma criatura grotesca sem olhos, pernas e braços longos e uma enorme boca com tentáculos como língua. É claro que ao contar aos pais o que viu, Jake é avaliado por uma psicologa que no decorrer da história incentiva o garoto a ir até Gales para desvendar os mistérios por trás das histórias do avô, algo que serviria de terapia para o garoto. Lá Jake encontra as ruínas do orfanato onde segundo seu avô, vivia a senhora Peregrine e suas crianças com habilidades especiais, chamadas de peculiares em 1943.

Interessante não é? Realmente a história é bastante interessante e tem um grande potencial, mas a execução de tudo isso foi extremamente falha.

Sabemos que sempre existe uma certa tensão quando se faz uma adaptação literária para o cinema, pois cada leitor tem sua própria concepção do que está escrito, pois a imaginação simplesmente viaja a cada página virada. Por isso, quando uma adaptação literária é feita, as escolhas devem ser muito bem administradas para se tornar algo atrativo tanto para os leitores, quanto para o grande público. Mas não é isso que acontece nesse filme.

Uma das melhores coisas que pode acontecer na trama de um filme é a quando a história simplesmente acontece diante de nosso olhos e começamos a ser levados pelo contexto do filme, descobrindo os mistérios e curiosidades por trás da trama. Não é legal? Pois é, isso não acontece em O Lar das Crianças Peculiares. Nesse filme, sempre aparece algum personagem explicando tudo, como se estivessem lendo o livro para nós. Não existe espaço para interpretação e curiosidade, eles explicam tudo! É praticamente uma corrida para compilar todas as informações contidas em uma história de 336 páginas em aproximadamente 2 horas.

Como existem muitos personagens, é compreensível que nem todos tenham suas histórias bem abordadas com o ritmo do filme que começa bem até acelerar um pouco, mas é quando aparece o antagonista, Barron (Samuel L. Jackson), que o ritmo do filme acelera consideravelmente. Barron não é simplesmente apresentado, ele tipo jogado nos peito, "toma, taí o vilão".

Algo que me incomodou bastante no filme inteiro foi a interpretação de Asa Butterfield. O garoto não convence em nenhum momento do filme. Logo no começo do filme Abe acaba morrendo e Jake vê o avô caído no chão, sem olhos e falando coisas que para ele pareciam loucuras, mas esse poderia ter feito toda a diferença na interpretação do jovem ator. Asa me surpreendeu de uma forma bastante negativa. Totalmente inexpressivo, parecendo até uma versão masculina da Kirsten Stewart. A relação de seu personagem, Jake com todos é muito rasa, até mesmo com a personagem de Ella Purnell (Emma), com quem ele tem um sentimento. Ao menos era isso que o filme queria passar. Até mesmo suas motivações não tem peso suficiente, não apenas pelo contexto, mas também pela interpretação "crepusculina" do ator. Olha que ele quase foi o Homem-Aranha.

Os pontos mais altos do filme são o 3D, o design, e a fotografia. Como Sempre Tim Burton da show nesses quesitos.

O 3D possui uma profundidade impressionante. Sério, foi o melhor 3D que eu já vi.
Os efeitos visuais do filme são muito bons, principalmente nas cenas da Emma, são as melhores.
As criaturas, conhecidas como etéreos, tem um visual incrível no quesito do design e silhueta, bastante interessante e assustador ao mesmo tempo.

VEREDITO: Respondendo a pergunta inicial, nada! Infelizmente O Lar das Crianças Peculiares é um desperdício de enredo e ideia. Não sei o livro, mas o filme é muito fraco. A história é interessante e toda a ideia por trás desse universo é algo que nos leva a imaginar diversas possibilidades, principalmente se tratando da personagem de Eva Green que tem habilidades de controlar o tempo, mas o filme não consegue em momento algum passar isso como algo fantástico e promissor. Pena, pois eu esperava mais de um filme de Tim Burton.

NOTA: 6/10





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